O Retorno de uma Lenda ao “Madhouse” e a Ascensão Improvável de um Estreante
A temporada de 2026 da NASCAR promete ser um palco de narrativas contrastantes, unindo o retorno de veteranos consagrados em seus territórios e a consolidação de jovens talentos que ainda tentam assimilar a realidade de competir no nível nacional. No centro das atenções para o pré-temporada Clash no histórico Bowman Gray Stadium, está Burt Myers. A lenda local estará novamente ao volante de um carro da NASCAR Cup Series, pilotando o Chevrolet nº 50 da Team Amerivet. Esta oportunidade surge com um tom de redenção e bom humor após sua tentativa em 2025, quando não conseguiu avançar para o evento principal devido a um acidente envolvendo Ricky Stenhouse Jr. — que, ironicamente, participou do vídeo de anúncio da equipe para 2026.
Para guiar Myers nessa empreitada, o veterano chefe de equipe Tony Eury Jr. estará mais uma vez no comando das operações. Eury traz uma bagagem de peso, não sendo nenhum estranho ao pit box, tendo trabalhado anteriormente com Dale Earnhardt Jr. na DEI. Para Myers, essa chance vai muito além de apenas pilotar; é uma questão de honra em sua própria casa. Ele expressou profunda gratidão à Team Amerivet e aos parceiros por acreditarem em seu potencial, ressaltando que a experiência anterior deixou um gosto de “quero mais” e o desejo de fazer tudo certo diante de seus fãs. Vale lembrar que Myers, ao lado de Tim Brown, é um dos pilotos mais vitoriosos da história de Bowman Gray, tendo garantido sua centésima vitória na pista em maio passado, além de ser decacampeão no local apelidado de ‘The Madhouse’.
De Fã a Piloto Profissional
Enquanto Myers busca reafirmar seu legado, Luke Baldwin vive o que ele mesmo descreve como um sonho quase inacreditável. O jovem piloto admite que correr na NASCAR Craftsman Truck Series ainda não parece totalmente real, uma honestidade que talvez seja o segredo para manter seus pés no chão. Diferente de muitos de seus pares, Baldwin não foi um garoto prodígio moldado desde o berço para os holofotes das corridas. Embora seja filho de Tommy Baldwin Jr., veterano chefe de equipe e ex-proprietário de equipe, e tenha crescido respirando o esporte, tornar-se um piloto profissional sempre pareceu uma fantasia inatingível. Ele se via apenas como um garoto que amava a NASCAR, achava a ideia de pilotar legal, mas impossível.
Contrariando suas próprias expectativas, o impossível se materializou. Baldwin, que recentemente uniu forças com a Clear 28 Agency, está se preparando para um calendário de 12 corridas na Truck Series com a Team Reaume em 2026. O sentimento de descrença foi palpável durante sua estreia na categoria na temporada passada, no Martinsville Speedway. Apesar de um resultado final de 22º lugar — consequência de circunstâncias fora de seu controle —, Baldwin demonstrou um ritmo legítimo no início da prova. No entanto, mais do que a posição final, o simples fato de competir nas séries nacionais da NASCAR foi o verdadeiro triunfo, gerando um momento de visível emoção para toda a família Baldwin após a bandeira quadriculada.
A Base nos Modificados e a Mentalidade de Respeito
Ainda hoje, quando não está no cockpit, Baldwin frequenta as arquibancadas nas corridas da Cup e Xfinity Series como se fosse um torcedor comum com ingresso geral, mantendo uma apreciação genuína pelo esporte. Essa humildade também se reflete em momentos surreais na pista, como quando se viu lado a lado com Matt Crafton, tricampeão da série, em North Wilkesboro. Baldwin recorda que sua mente “ficou em branco” por um instante ao perceber que estava disputando posição com alguém que ele cresceu assistindo na televisão todo fim de semana.
Essa postura respeitosa é fruto de um caminho de desenvolvimento que fugiu ao padrão moderno da NASCAR. Antes de chegar às categorias nacionais, Baldwin construiu sua reputação nas corridas de modificados, onde se tornou bicampeão do SMART Modified Tour, e na CARS Tour, ajudando a Rick Ware Racing a conquistar um campeonato de proprietários. Embora a dirigibilidade desses carros não se traduza diretamente para as caminhonetes da NASCAR, Baldwin credita às corridas de modificados a formação de sua abordagem mental. Competir contra pilotos de base (“grassroots”) ensinou-lhe a cuidar do equipamento e a tratar os adversários como gostaria de ser tratado, uma perspectiva de respeito mútuo que ele considera rara entre os jovens que vêm das corridas de Late Models. Essa fundação tem sido crucial enquanto ele se adapta a veículos mais pesados e dependentes de aerodinâmica, aplicando a paciência e a gestão de corrida aprendidas nas raízes do automobilismo.
