Da Frustração na Austrália às Quartas em Munique: O Caminho de João Fonseca até o Duelo contra Ben Shelton
A consagração no frio alemão
O clima gelado tomou conta de Munique nesta quarta-feira, mas a ação dentro da quadra pelo BMW Open by Bitpanda esteve longe de esfriar. A campanha de João Fonseca no torneio de nível ATP 500 ganhou contornos decisivos quando o jovem brasileiro abriu as disputas na Quadra Central. Ele garantiu sua vaga entre os oito melhores da competição ao superar o francês Arthur Rinderknech, sétimo cabeça de chave, de forma bastante confortável por 6/3 e 6/2. Com o cronômetro marcando uma hora e 21 minutos de jogo, o tenista de 19 anos repetiu o roteiro da semana anterior em Monte Carlo, anotando sua segunda vitória consecutiva contra o adversário europeu. De quebra, Fonseca cravou seu nome como o segundo adolescente nesta década a alcançar as quartas de final em Munique, repetindo os passos que Holger Rune deu nos anos de 2022 e 2023.
A superação após os tropeços da estreia
Chegar à sua sexta quartas de final de nível ATP na temporada, sendo a terceira em um evento ATP 500, reflete uma mudança drástica de cenário para o atleta carioca. O início do ano foi marcado por obstáculos pesados no Australian Open. Lá em Melbourne, a estreia na temporada de Grand Slams foi precocemente interrompida após uma batalha de pouco mais de duas horas e meia contra o norte-americano Eliot Spizzirri, que levou a melhor em quatro sets (6/4, 2/6, 6/1 e 6/2).
Naquela ocasião, a situação era bastante delicada. Fonseca lidava com o peso de uma lesão chata na lombar. Esse problema o havia afastado de todos os eventos preparatórios e, segundo o próprio jogador relatou em conversa com a ESPN na saída da quadra, a falta de ritmo e de confiança pesaram muito contra seu desempenho. Mesmo frustrado com o resultado, ele já demonstrava uma maturidade incomum para a idade. O brasileiro tratou a queda na primeira rodada como uma etapa brutal de aprendizado e projetou a temporada com otimismo. Seu foco logo se voltou para a gira sul-americana no “saibrão”, com destaque para o Rio Open, onde tinha total consciência de que precisaria lidar com a pressão de jogar em casa e defender pontos.
Foco tático e o aguardado encontro com Shelton
Hoje, a postura durante as partidas é outra. Totalmente focado e ciente de que Rinderknech usaria armas variadas, como saques pesados, voleios e drop shots, o brasileiro apostou na agressividade desde o primeiro minuto. A chave para a vitória na Alemanha foi a capacidade de atacar e dominar os pontos, mas principalmente a resiliência para salvar os nove break points que enfrentou sob extrema pressão, ao mesmo tempo em que converteu três de suas sete oportunidades.
Esse nível altíssimo de tênis será fundamental para seu próximo e grandioso desafio na sexta-feira: um duelo inédito no circuito contra Ben Shelton. O norte-americano, segundo cabeça de chave do torneio, também avançou para a sua quinta quartas de final do ano ao despachar o convidado belga Alexander Blockx por 6-4 e 7-6(8). O jogo exigiu bastante fisicamente. Shelton precisou de uma hora e 46 minutos para carimbar a vaga, disparando quatro aces e faturando 71% dos pontos com o seu segundo serviço. A estratégia, segundo o próprio americano, foi encontrar maneiras de pontuar sem depender exclusivamente da potência do seu saque.
Respeito mútuo e os bastidores na Baviera
A expectativa para esse confronto direto já movimenta os bastidores do torneio. Ben Shelton tem aproveitado bastante a estadia na capital bávara, inclusive arrumando tempo para engrossar a torcida do Bayern de Munique na Liga dos Campeões contra o Real Madrid, mas tem plena consciência do perigo que o adversário sul-americano representa. Embora nunca tenham se enfrentado oficialmente, os dois se conhecem bem por já terem treinado juntos em Maiorca. O cabeça de chave não poupou elogios ao brasileiro, destacando tratar-se de um jogador extremamente completo para a idade. Ele ressaltou a excelência do forehand de Fonseca, além da solidez na movimentação e no backhand, garantindo que precisará usar todo o seu arsenal e variar bastante as jogadas para quebrar o ritmo do carioca.
Caminho aberto para outros favoritos
Longe dos holofotes do duelo entre o brasileiro e o americano, a competição segue seu fluxo natural com outros nomes confirmando o favoritismo. O italiano Flavio Cobolli, quarto pré-classificado, manteve o controle absoluto de suas emoções e do jogo contra Zizou Bergs. O tenista belga não ofereceu grande resistência e acabou superado em rápidos 73 minutos, com parciais de 6-2 e 6-3. Cobolli jogou de forma cirúrgica. Ele disparou apenas oito winners em toda a partida, mas teve o mérito gigantesco de aproveitar todas as três chances de quebra de saque que construiu. Após uma estreia que ele mesmo classificou como abaixo do esperado diante do qualifier alemão Diego Dedura, o italiano celebrou a evolução técnica em quadra, mostrando-se muito à vontade com o constante apoio que recebe do público local.
