Ponto suado na Arena MRV e o adeus a uma promessa: os movimentos de um Botafogo em transição

No apagar das luzes, o Botafogo conseguiu arrancar um empate sofrido contra o Atlético no último domingo. Jogando na Arena MRV, em partida válida pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, o roteiro do jogo parecia desenhado para uma vitória tranquila dos donos da casa. O Galo engoliu o adversário em boa parte do confronto, empilhou chances claras, mas pecou feio na pontaria e acabou pagando um preço altíssimo nos minutos finais devido aos próprios vacilos defensivos.

Mesmo abrindo mão da posse de bola em alguns momentos do primeiro tempo, o time comandado por Eduardo Domínguez controlou o ritmo. A equipe mineira apostava muito em transições rápidas e num jogo vertical que machucava a defesa carioca. Aos 22 minutos, a estratégia deu resultado. Cuello engatou a quinta marcha pela direita e cruzou rasteiro. A zaga do Botafogo bateu cabeça, afastou mal, e a bola caiu no colo de Cassierra, livre dentro da área. O atacante teve toda a frieza do mundo para dominar, ajeitar o corpo e fuzilar a meta de Neto, fazendo 1 a 0.

Com a vantagem no placar, o Atlético baixou um pouco as linhas e passou a convidar o Botafogo para o seu campo, com a nítida intenção de matar o jogo no contragolpe. A tática se mostrou sólida até o intervalo, com os mineiros parecendo muito mais perigosos mesmo sem ficar tanto com a bola.

Na volta dos vestiários, no entanto, a postura alvinegra precisou mudar. O Botafogo partiu para a pressão e quase igualou o marcador logo aos 11 minutos, quando Danilo arriscou da entrada da área, a bola desviou em Mateo Ponte e caprichosamente beijou a trave. O susto até que acordou o Galo, que voltou a achar espaços na defesa botafoguense, mas acabou esbarrando numa tarde inspirada do goleiro adversário. Neto operou verdadeiros milagres: primeiro espalmando uma bomba de Cuello de fora da área e, apenas três minutos depois, salvando uma cabeçada à queima-roupa do próprio Cuello após cruzamento na medida de Lodi pela esquerda.

A velha máxima de que “quem não faz, leva” nunca falha. O Atlético desperdiçou outras chances cristalinas, como nas cabeçadas para fora de Román e Vitor Hugo. O castigo veio aos 44 da etapa final. Uma cobrança de lateral virou um salseiro dentro da área mineira. Vitor Hugo calculou mal o tempo de bola no alto, Junior Alonso vacilou na cobertura e Arthur Cabral, livre de marcação, não perdoou. Fim de papo com um 1 a 1 que deixa os dois times abraçados com 18 pontos na tabela — o Botafogo em 11º lugar e o Galo logo atrás, em 12º. O Atlético agora junta os cacos e vira a chave para a Copa do Brasil, precisando de um simples empate na próxima quarta-feira contra o Ceará, em Fortaleza, para avançar às quartas.

Enquanto o time principal sua sangue dentro das quatro linhas para buscar pontos indigestos no Brasileirão, a diretoria do Botafogo segue quebrando a cabeça para enxugar e reestruturar o elenco. Nesse cenário de ajustes, uma velha conhecida da torcida acaba de ter seu destino traçado longe de General Severiano.

O clube sacramentou a renovação do empréstimo de Matheus Nascimento ao Los Angeles Galaxy. A informação, inicialmente cravada pelo jornalista Thiago Franklin, do Canal do TF, confirma que o atacante vai continuar respirando os ares da terra do Tio Sam pelo menos até o fim da atual temporada do futebol nos Estados Unidos.

A real é que o garoto encontrou um ambiente favorável por lá e agradou bastante a comissão técnica americana. Em 28 partidas disputadas pelo Galaxy, sendo titular em 16 delas, ele meteu seis gols e distribuiu três assistências. Essas nove participações diretas em gols deram o respaldo exato que os gringos precisavam para bater o martelo sobre sua permanência. Para o jogador, a renovação do empréstimo é quase um alívio, já que seu futuro no Botafogo é um beco sem saída. Com o contrato expirando em dezembro deste ano, Matheus está totalmente fora dos planos do clube e uma renovação carioca é carta fora do baralho.

É no mínimo curioso observar a trajetória do moleque. Tratado como joia desde muito cedo, ele estourou no Sub-15, atropelou etapas no Sub-17 e foi lançado aos leões do profissional lá em 2020, numa tentativa desesperada do clube de dar rodagem ao garoto em meio ao caos. A aposta cobrou seu preço. Matheus ficou estigmatizado pela inconstância e por fazer parte de uma equipe que amargou o rebaixamento, perdendo a confiança no processo e nunca conseguindo se firmar de vez. Ele deixa a história recente do clube com 96 jogos nas costas, 12 gols e seis assistências, buscando em gramados internacionais o futebol que a pressão local acabou sufocando.