O Peso do Clássico e a Sombra do Mundial: O Que Sobra para o Verdão
Foi no sufoco, na transpiração e com a típica tensão de um clássico paulista. O Palmeiras recebeu o Santos na Arena Crefisa Barueri e saiu com uma vitória magra por 1 a 0, suficiente para garantir a festa da torcida. O jogo foi um retrato fiel do que é o Campeonato Paulista moderno: muita disputa física, paralisações e a necessidade de aproveitar a única chance clara que o jogo te oferece.
E essa chance veio aos 40 minutos da primeira etapa. Allan encontrou um espaço no miolo da área santista e bateu firme de canhota para balançar a rede. Dali em diante, o roteiro mudou. O Santos tomou as rédeas da partida, monopolizou a bola com 56.4% de posse no segundo tempo e começou a martelar. Miguel Terceros, Benjamín Rollheiser e Gabigol tentaram de fora da área, enquanto Zé Ivaldo assustava no jogo aéreo. Do lado alviverde, a estratégia virou pura sobrevivência. O time recuou as linhas e passou a depender das defesas seguras de Carlos Miguel — que ainda deu um susto na reta final ao precisar de atendimento médico, esfriando a pressão adversária nos extensos 8 minutos de acréscimo. O clima esquentou, cartões amarelos foram distribuídos para Flaco López, Luighi Hanri e Adonis Frías, e o apito final consagrou uma vitória de resiliência.
Lidar com a maratona do calendário estadual já é desgastante por natureza, mas a comissão técnica tem uma dor de cabeça ainda maior nos bastidores: o desmanche temporário do elenco. O Palmeiras tem atualmente sete jogadores envolvidos na Copa do Mundo sediada nos Estados Unidos, México e Canadá. Nomes de peso como Gustavo Gómez, Ramón Sosa, Mauricio, Flaco López, Jhon Arias, Emiliano Martínez e Piquerez dividem as atenções do clube com o torneio internacional. A profundidade do banco de reservas nunca foi tão testada.
O caso mais inusitado dessa janela internacional envolve o lateral-direito Giay. Ele alimentava fortes esperanças de defender a camisa da Argentina após atuar em dois amistosos preparatórios, mas acabou cortado da lista final de Lionel Scaloni. Só que a história não terminou com a compra de uma passagem de volta para o Brasil. A Associação do Futebol Argentino (AFA) fez um pedido formal para que o jogador permanecesse integrado à delegação para participar das atividades do grupo durante o torneio. O Palmeiras deu o aval, e agora Giay segue com a seleção, sem uma data definida para pisar novamente na Academia de Futebol.
Enquanto isso, a Argentina já estreou fazendo barulho no Mundial. A equipe atual campeã sobrou em campo e amassou a Argélia por 3 a 0. O destaque óbvio ficou por conta de Lionel Messi, que guardou os três gols da partida e alcançou uma marca histórica, igualando o alemão Miroslav Klose como o maior artilheiro da história das Copas, com 16 bolas na rede. Flaco López, por sua vez, esquentou o banco durante os 90 minutos e apenas assistiu ao show do camisa 10. A Albiceleste lidera o Grupo J, que ainda conta com a Jordânia, e se prepara para o próximo desafio contra a Áustria, marcado para a segunda-feira, dia 22, às 14h no horário de Brasília. O torcedor palmeirense, dividido entre o orgulho de seus selecionáveis e a aflição do Paulistão, segue acompanhando de perto os desdobramentos lá fora enquanto comemora mais três pontos em casa.
